Aqui você pode conferir algumas fotos e histórias por trás da produção deste livro.

Fotos aéreas:

Precisava de algumas fotos aéreas da floresta no Contínuo de Paranapiacaba, para dar a noção do tamanho da floresta, porém o que de início parecia simples, acabou não sendo muito fácil. Primeiro que foi difícil achar um piloto pra fazer esse tipo de trabalho naquela região, depois mesmo quando já tinhamos o piloto tivemos que cancelar o vôo em cima da hora por umas 4 ou 5 vezes, devido ao mal tempo. Um dia, com o tempo perfeito, parecia que finalmente ía dar certo. Na hora combinada entrei no avião, apertamos o cinto, revimos os últimos detalhes, motor ligado, vamos lá! Só que alguns metros depois, no taxi para a pista de decolagem a roda passou por um buraco na grama – BANG, um barulho e o motor pára. A hélice havia encostado no chão e quebrado na ponta. Vôo cancelado. Parecia que tudo conspirava contra essas fotos.

Corremos atrás de uma solução rápida e, depois de alguns dias, com hélice nova, e já próximo ao prazo final de produção, finalmente deu tudo certo e pude fazer as fotos que ilustram o livro.

Fotografia protegida pela Lei de Direito Autoral nº 9.610. Cópia proibida.

Fotografia protegida pela Lei de Direito Autoral nº 9.610. Cópia proibida.

Fotografia protegida pela Lei de Direito Autoral nº 9.610. Cópia proibida.

Fotografia protegida pela Lei de Direito Autoral nº 9.610. Cópia proibida.

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A orquídea:

Uma parte importante do livro são as fotos das orquídeas. Com sua beleza e enorme variedade de formas e cores, elas representam bem a biodiversidade da Mata Atlântica. Algumas orquídeas no livro se escondiam em locais distantes da floresta, de difícil acesso. No entanto uma das orquídeas mais espetaculares que encontramos estava crescendo naturalmente na parede do nosso quarto no Parque do Zizo! Tratava-se de uma espécie de Vanilla, um gênero de orquídeas trepadeiras que produzem, além de flores espetaculares, uma cápsula de sementes que, depois de seca e tratada, torna-se a famosa baunilha – a legitima, não a produzida artificialmente em indústrias. Enfim, apesar da proximidade extrema da nossa base, fotografar essa orquídea não foi muito fácil, pois ela estava escalando uma parede laranja e eu precisaria isolar a flor num fundo preto, o que nos exigiu vários testes com panos pretos e refletores até que finalmente conseguimos chegar na luz que queríamos.

Foto: Guilherme Gallo Ortiz

Foto: Guilherme Gallo Ortiz

 

Fotografia protegida pela Lei de Direito Autoral nº 9.610. Cópia proibida.

Fotografia protegida pela Lei de Direito Autoral nº 9.610. Cópia proibida.

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Armadilha fotográfica:

Praticamente a única forma de fotografar mamíferos terrestres na Mata Atlântica é com o uso de armadilhas fotográficas. Porém isso não quer dizer que basta colocar o equipamento e voltar lá uma semana depois e ver várias fotos de animais diferentes. Não é bem assim que funciona. Na Mata Atlântica não há muitos locais óbvios para colocar as armadilhas, as vezes um local pode produzir várias fotos rapidamente e depois passar um mês ou mais sem produzir nada. O clima, extremamente úmido, também dificulta muito. Por diversas vezes o equipamento deu problema devido à umidade, a lente embaçava, água acumulava dentro das caixas estanques, etc. Um flash chegou a ficar completamente submerso por alguns dias (e mesmo assim voltou a funcionar). Tudo que podia dar errado dava. Até mesmo pra ninho de formiga os sensores infra-vermelhos serviram! Mas mesmo assim conseguimos algumas fotos interessantes com essa técnica, que você pode conferir no livro.

Assim está bom?

Assim está bom?

Um outro problema quando se trabalha com armadilhas fotográficas é que você depende da sorte do bicho passar na frente da câmera no melhor ângulo, na velocidade certa, etc. Muitas vezes pegamos fotos que poderiam ter sido boas, não fossem alguns pequenos detalhes…

Anta curiosa, cheirando o flash.

Anta curiosa, cheirando o flash.

Meia onça-parda.

Meia onça-parda.

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Escalando árvores:

Na floresta uma das únicas formas de fotografar cenas variadas do dossel é escalando as árvores com o auxílio de uma corda. A ideia inicial era contratar um escalador de árvores profissional pra nos auxiliar nisso, porém rapidamente descobrimos que esse tipo de profissional aqui na região SE do país é dificílimo de encontrar. Dessa forma optei por eu mesmo aprender a técnica. Vi muitos sites na internet, videos, comprei DVD’s , um livro e, após comprar as cordas, mosquetões e etc., fui treinar. No começo os treinos tinham que ser a baixa altura é claro, então nosso local escolhido foi a cozinha do Parque do Zizo. Uma cena um tanto cômica, pendurado a um metro do chão…

Escalando na cozinha.

Escalando na cozinha.

Mas conseguimos aprender a técnica e, com o auxilio do Guilherme Ortiz e sua boa pontaria com o estilingue pra passar o fio que depois puxaria a corda, subi em algumas árvores. A visão lá de cima é realmente especial, muito diferente do interior da floresta.

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Fotografia protegida pela Lei de Direito Autoral nº 9.610. Cópia proibida.

Fotografia protegida pela Lei de Direito Autoral nº 9.610. Cópia proibida.

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Maria-leque:

Em Setembro de 2011 localizei um ninho de maria-leque-do-sudeste (Onychorchynchos swainsoni) no Parque do Zizo. Eu e o Guilherme Ortiz decidimos montar um esconderijo próximo ao ninho para fotografar toda a nidificação dessa rara espécie endêmica da Mata Atlântica. O objetivo maior era fotografar o macho com seu incrível topete totalmente aberto. Ficamos no total 14 dias lá, do amanhecer ao entardecer, tomando um número incontável de picadas de pernilongo. O casal fazia de tudo menos abrir o leque próximo a nós. Todas as vezes que isso acontecia era sempre longe ou atrás de galhos ou folhas. Eles ficaram tão acostumados com a nossa presença que algumas vezes pousavam na nossa barraca improvisada, imediatamente acima de nossas cabeças! Até foto com a ave de costas e com o leque aberto eu tinha, menos a que eu mais precisava, com o leque aberto de frente pra mim. Aos 45 do segundo tempo, na tarde do último dia, o macho pousou num galhinho uns 6 metros do esconderijo, como já fizera diversas vezes antes, e alí, de repente, abriu completamente o leque sem motivo aparente, por cerca de 1 segundo no máximo, e imediatamente o fechou. Fiquei tão perplexo com tanta beleza que quase esqueci que fazer a foto, mas deu tempo de fazer uma única com o leque aberto. Valeu a pena a espera.

Guilherme e eu, dentro do esconderijo onde "moramos".

Guilherme e eu, dentro do esconderijo onde “moramos”.

Finalmente o leque aberto! Mas a ave estava de costas...

Finalmente o leque aberto! Mas a ave estava de costas…

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